Por Letícia Gonçalves
Difícil arranjar um exercício mais completo do
que a natação - o exercício trabalha os músculos do corpo todo, exige
melhora da respiração e estimula o condicionamento cardiovascular. Mas
um estudo da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, conseguiu
encontrar uma atividade ainda mais eficiente: o bale clássico. A equipe
de pesquisadores comparou o desempenho de membros da famosa academia
Royal Ballet com o de nadadores da seleção olímpica britânica. Os
bailarinos apresentaram melhores resultados em sete de dez medidas de
condicionamento físico analisadas, como equilíbrio psicológico,
flexibilidade e equilíbrio corporal.
"A técnica é indicada tanto para crianças como para adultos
por ser uma atividade física que trabalha todo o corpo, como poucas
modalidades esportivas fazem", afirma o ortopedista Marcelo Cavalheiro,
da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Conheça os
benefícios que você pode esperar ao eleger o
balé como a sua opção de exercício físico.
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Dança corrige a postura, previne dores nas costas e define os músculos
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Respiração de atleta
Dançar uma música clássica é calmo para quem
assiste, mas quem dança escorre suor e precisa de um fôlego danado para
terminar uma coreografia cheia de saltos, piruetas e outros passos
difíceis. Por isso, faz parte das aulas aprender a respirar aproveitando
o máximo possível da capacidade do diafragma: coloque a mão um pouco
acima da sua cintura e procure inspirar pelo nariz, empurrando a mão
para fora. Na hora de soltar o ar, contraia como se quisesse encostar
uma mão na outra. "Essa
respiração é um ótimo trabalho de todo o sistema cardiovascular e respiratório", afirma Marcelo Cavalheiro.
Postura perfeita
Dor nas costas
causada pela má postura é um problema que dificilmente perturba
bailarinos. "O balé clássico trabalha os principais grupos musculares
responsáveis pela manutenção da postura, que são a musculatura
abdominal, peitoral e das costas", afirma a professora de balé Mariana
Bastos, coordenadora pedagógica do Ballet Paula Castro, de São Paulo.
"Os alunos são estimulados a manter a postura correta, com abdômen
contraído, quadril 'encaixado' e coluna alinhada."
O ortopedista Marcelo também explica que esse alinhamento de todo o
corpo faz com que garante um ótimo equilíbrio corporal. "O aluno
consegue realizar as atividades do dia a dia com movimentos mais
precisos, articulações protegidas e menor gasto de energia", afirma.
Músculos trabalhados
Engana-se quem acredita na aparência frágil dos
bailarinos. "O balé promove hipertrofia, ou seja, aumenta e fortalece os
músculos tanto quanto a musculação", afirma o ortopedista Marcelo. Além
de toda a musculatura responsável pela
postura,
Mariana Bastos afirma que a técnica estimula tantos os membros
inferiores quanto superiores, por conta de exercícios de salto,
sustentação em determinadas posições e força nos braços para carregar as
bailarinas (nos casos dos homens).
Barriga chapada
Bailarino com barriga saliente é algo raro de ser
ver. Primeiro porque a postura correta é cobrada o tempo todo nas
aulas, o que inclui encolher a barriga. Segundo, porque é uma atividade
física como qualquer outra que proporciona queima de calorias. Para
conseguir bons resultados, no entanto, é preciso fazer aulas
regularmente, de duas a três vezes por semana, no mínimo.
Flexibilidade
Segundo o ortopedista Marcelo, não adianta ser
apenas forte ou ter músculos elásticos, é preciso ter equilíbrio
muscular. "Nesse ponto, o balé pode ser melhor até que a musculação de
academia, porque alonga e trabalha os músculos ao mesmo tempo", afirma.
Como resultado, os grupos musculares não ficam encurtados e há menor
risco de lesões. "A
flexibilidade
é trabalhada em todos os exercícios de balé porque os movimentos
precisam ser realizados com grande amplitude", afirma a professora de
balé Mariana.
Bem-estar e percepção corporal
Por ser ao mesmo tempo uma atividade prazerosa -
os movimentos acontecem de acordo com o compasso da música - e um
exercício físico que libera endorfina, uma substância responsável pelo
prazer, o balé proporciona muito bem-estar. "A técnica também ajuda a
melhorar a autoestima e a percepção corporal, pois é preciso ter
consciência de todas as partes do corpo para realizar os exercícios",
afirma Mariana Bastos.
Agilidade e coordenação motora
Conforme o aluno consegue aprender e executar os
exercícios básicos de balé, os passos vão ficando mais difíceis. "A
complexidade dos movimentos aumenta em cada estágio, exigindo cada vez
mais agilidade e coordenação motora", comenta a professora de balé
Mariana. Também é preciso dominar bem a técnica porque, por mais que os
exercícios sejam difíceis de executar, o bailarino precisa realizar cada
movimento de forma leve e sutil, sem mostrar o esforço que está
fazendo. "A ideia que se transmite ao público é de uma arte delicada e
elegante", lembra Mariana.
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