18 fevereiro 2019

Cultura francesa e as regras da educação francesa para um jantar entre amigos



Por: Lina

Você é convidado para jantar na casa de amigos franceses. Veja abaixo algumas regras básicas:
  • Esqueça os hábitos brasileiros e chegue, no máximo, com 15 minutos de atraso, nem um minuto a mais. Não chegue na hora porque assim você proporciona à dona de casa 15 minutos suplementares para os últimos preparativos. Mas se por alguma razão ultrapassar estes 15 minutos de politesse e for chegar com mais de 20 minutos de atraso, telefone. Explique seu problema, diga que vai chegar tal hora e insista para que a dona da casa sirva o jantar. Respeitando os convidados pontuais ela servirá o jantar sem você.

  • Se o jantar entre amigos é no restaurante você tem que chegar na hora exata.

Amigos conversam em um restaurante parisiense
Amigos conversam em um restaurante parisiens

  • As pessoas que convidam vão preparar com antecedência a disposição dos convidados na mesa. Regra número um, separar os casais. Você não vai a um encontro com amigos para ficar conversando com seu marido ou a sua namorada. À direita da dona da casa será colocado o homem convidado pela primeira vez, ou o homem mais idoso, ou o convidado de honra, ou o esposo da convidada de honra. À direita do dono da casa, mesma regra. A mulher convidada pela primeira vez…. À esquerda da dona da casa o convidado que vem logo após aquele que foi colocado à sua direita. E assim por diante.

  • As mulheres são servidas em primeiro lugar, começando da mais idosa ou da convidada de honra. Escolha que depende da sutileza das pessoas que recebem.

  • Os homens vão ficar atentos à noite toda vigiando o nível do vinho ou da água nas taças das suas vizinhas. Uma mulher nunca pega uma garrafa e se serve.

  • Se for um almoço você vai encontrar o seu guardanapo dobrado em cima do prato. No jantar ele estará dobrado à esquerda do prato. Nunca dentro das taças ou copos. O porta guardanapo só é utilizado em jantares familiares intimos. Não o desdobre inteiramente e coloque-o meio dobrado em cima dos joelhos. Após o jantar coloque-o sem dobrar à direita do seu prato.

  • Não corte a salada com sua faca. A dona da casa vai apresenta-la cortada ou rasgada, se necessário dobre-a, mas não utilize sua faca.

  • No aperitivo os donos da casa vão oferecer champanhe. Eles vão colocar água mineral com gás dentro de algumas taças para deixarem à vontade aqueles que não bebem álcool. O aperitivo vai durar no máximo 45 ou 50 minutos e o tira gosto será leve para não atrapalhar o apetite dos convidados.

  • Uma vez todos servidos, o gesto da dona da casa pegando os talheres indica aos outros que, enfim!, podemos comer.

  • Este é um grande momento, o prazer de estar em sociedade associado aos prazeres dos sentidos. Então, qualquer assunto polêmico é evitado. Nenhum francês vai, se dirigindo a mim dizer, Liná (na França eu me chamo obrigatoriamente Liná) perguntando: “vocês continuam pondo fogo na floresta amazônica?”.  Esta pergunta será feita, mas em outras circunstâncias.

  • Após a entrada, o prato principal, os queijos, a salada de alface e a sobremesa, o café e o digestivos serão tomados na sala. Esta última etapa vai durar outros 45, 50 minutos tempo necessário para você dizer: está tudo perfeito, mas acho que já está chegando na hora de irmos embora. Neste momento voce vai imperativamente continuar sentado e a conversa vai rolar ainda uns 15 minutos. Após este pré aviso, enfim, o jantar chegou no seu fim.

  • No dia seguinte você deve telefonar para aqueles que te convidaram e agradecer o momento maravilhoso que passou na casa deles, elogiar a qualidade de tudo que comeu e bebeu.

As regras da educação francesa são as mesmas que as nossas regras brasileiras. As elementares todos nós sabemos. O texto acima chama atenção para certos detalhes que não damos importância no Brasil ou que desconhecia, como por exemplo a interdição de cortar a salada com a faca. Eu nunca tinha ouvido falar nisto. Chegar com 15 minutos de atraso, também não conhecia. Eu sempre chegava na hora exata, muito orgulhosa da minha pontualidade.
Nós não temos este hábito sistemático de separar os casais e prever os lugares na mesa. Acabei reconhecendo que os franceses têm razão. Separando os íntimos a conversa se generaliza e a o ambiente fica mais harmonioso.
Fonte: https://www.conexaoparis.com.br/2008/01/28/regras-da-educacao-francesa-para-um-jantar-entre-amigos/

17 fevereiro 2019

Carta convite/attestation d'accueil: para que serve e como fazer




Documentação



A carta convite (attestation d'accueil em francês) é um documento emitido pela mairie da cidade da pessoa que acolherá o visitante. Ele é um documento oficial, impresso em papel timbrado contendo todas as informações do visitante e do anfitrião. O pedido de emissão da carta convite pode ser negado, caso o prefeito julgue nem todas as condições estejam sendo cumpridas. Ou então, caso algum documento esteja faltando.



carta convite
Foto: ville-bouliac.fr


Como solicitar uma carta convite
Não é preciso provar nenhum parentesco com o visitante. É necessário apenas estar consciente que ao aceitar acolher o visitante em sua casa, você está assinando um compromisso.
Cada mairie tem o seu próprio modo de funcionamento. Pode ser preciso marcar um horário antecipadamente. A lista de documentos exigidos também pode variar. Lembre-se sempre de levar uma cópia juntamente com os documentos originais. Uma cópia simples é o suficiente pois a conferência com os originais é feita na hora. Use sempre uma folha de papel para cada documento, não imprima frente e verso.
Para facilitar o atendimento, separe os documentos originais das cópias em duas pastas diferentes. Todas as cópias devem estar legíveis.

Lista de documentos necessários

Os documentos exigidos podem variar de acordo com a mairie. O mínimo exigido é:
  • Um documento de identidade do anfitrião (passaporte, titre de séjour, carteira de identidade francesa);
  • Um documento que comprove que o anfitrião é proprietário ou locatário (contrato de locação);
  • Um comprovante de residência (conta de água, luz, telefone fixo, recibo de aluguel);
  • Comprovante de recursos financeiros do anfitrião (3 últimas fiches de paie, última declaração de impostos);
  • Timbres fiscaux no valor de 30 euros (podem ser adquiridos nos bureaux de tabac);
  • Informações sobre o visitante: data da chegada e da partida, nome completo, nacionalidade, número do passaporte.
Outros documentos como a cópia das passagens, seguro saúde, cópia do passaporte do visitante também podem ser exigidos.

Emissão da carta convite

Dependendo da época do ano, o tempo necessário para receber o documento pode variar. Entre julho e agosto por exemplo, o efetivo é reduzido por ser um período de férias. Não deixe para a última hora, as mairies não tratam nenhum tipo de pedido urgente.
O pedido pode ser recusado pelo prefeito caso ele julgue que o anfitrião não possui meios suficientes para arcar com as despesas do visitante, caso este acabe ficando sem dinheiro durante a estadia. Ou que a casa/apartamento não é adequada para alojar uma pessoa a mais. A taxa de 30 euros não será reembolsada caso o pedido seja recusado.
Lembre-se também que o visitante terá que trazer em mãos a carta original. O envio internacional de documentos pode ser um pouco lento e sofrer atrasos.

Quais são as vantagens?

É um conforto a mais para quem está visitando. Com a carta convite, os recursos financeiros exigidos caem para 32,50 euros por dia, ao invés de 65€ (com a apresentação de uma reserva de hotel) ou 120€ (sem reserva). É um documento oficial que não será contestado pela imigração (desde que o documento original seja apresentado). Ela é válida para uma estadia inferior a 3 meses.

https://guiadoestrangeiro.com/carta-convite-para-que-serve-e-como-fazer/

16 fevereiro 2019

Brasil e França: As diferenças culturais!

As diferenças culturais entre Brasil e França vão desde sutis nuances até verdadeiros choques culturais.


Por: Lina 23 fevereiro, 2018

Sem certo ou errado, cada sociedade desenvolveu suas regras de conduta, comportamento e etiqueta de acordo com seu passado, temperamento, influências e, até mesmo, seu clima.
Dependendo da pessoa e da situação, essas diferenças podem ser vividas (1) como uma “atração turística” a mais (uma curiosidade de viagem a ser contada para os amigos e familiares); (2) como uma barreira que nos trava ou, mais importante, (3) como um aprendizado que nos faz descobrir que há muitos jeitos de viver.
(foto:no Shutterstock)
Abaixo falamos sobre algumas dessas diferenças que, para nós, foram/são as mais marcantes:

Bom dia obrigatório

Até hoje, mais de trinta anos passados neste país, acho que o sorriso é um bom começo. Sorrio para o funcionário e pergunto uma informação. Recebo de volta somente um seco “bonjour”. Mais uma vez me esqueci que o “bom dia” é introdução obrigatória não importa a circunstância: diante da atendente, da enfermeira, do chofer, do jornaleiro, do guarda, do padeiro, do médico, de todo mundo. No encontro entre amigos íntimos podemos substituir o bonjour obrigatório por um coucou ou salut. Sinto falta da espontaneidade brasileira, do sorriso que abre portas, de pequenos gestos que falam muito.

Relação pais e filhos

Tive tempo de sobra para comparar os dois modos de educação, brasileiro e francês. Nós brasileiros somos mais amorosos, mais corporais, mais beijoqueiros. No Brasil, mesmo fora do meio familiar, nas escolas maternais por exemplo, os educadores podem colocar a criança no colo e fazer um pequeno carinho em momentos difíceis. Na França, e em outros países europeus, o contato físico é enquadrado. Aqui em Paris, observando a ausência de gestos carinhosos, uma mãe brasileira pediu ao psicólogo da escola para pegar sua pequena no colo quando ela chorasse. Ele ficou constrangido, pois não tinha o direito de tocar nos alunos. Este enquadramento é resultado de políticas de prevenção da pedofilia. Que por sua vez resulta de denúncias e movimentos sociais. Daí a importância da discussão até onde o estado pode legislar a vida dos cidadãos.

Amizades

Durante um jantar, de repente o clima fica pesado entre dois convidados, amigos de longa data. Surpresa, interpreto a cena como o final da amizade. Alguns dias mais tarde revejo as mesmas pessoas sorridentes e amigos de sempre. Correção: assisti uma discussão tônica e estimulante do ponto de vista intelectual. Aprecio viver no interior de uma cultura que permite a divergência de opinião. Aprecio mais ainda conviver com pessoas que conseguem discutir e comparar posições contrárias. Que são amigos apesar das diferenças ideológicas e políticas.

Maneira de conduzir

Nada de diferenças brutais. Primeiro, dirigimos no mesmo lado. Ainda bem. Imagino que a adaptação ao lado inglês seja estressante. Segundo, se jogar de carro na praça do Arco do Triunfo, para nós brasileiros, é fácil. Pelo menos para aqueles que nasceram antes das rotatórias. Terceiro, como em qualquer país civilizado, tanto no Brasil como em Paris, interjeições mais ou menos mal educadas ajudam a evacuar a impaciência nos engarrafamentos. Como nós, os franceses uma vez no volante são adeptos dos palavrões. A única diferença, por sinal brutal, é a qualidade das estradas e autoestradas e o super respeito aos pedestres e ciclistas.
Carros ao redor do Arco do Triunfo (foto: no Shutterstock)

O tempo e a organização das refeições

O aperitivo, a entrada, o prato, os queijos e a salada, a sobremesa, o cafezinho e o digestivo: uma sequência que pode durar mais de quatro horas. Socorro. Nós brasileiros não fomos formatados para suportar mais de 4 horas assentados no mesmo lugar. Um suplício. Para piorar, com as mesmas pessoas à direita e à esquerda. A famosa refeição gastronômica francesa inscrita na lista do Patrimônio Imaterial da Unesco, pode se transformar rápido em tortura. Adoro os bufês brasileiros, a liberdade de trocar de lugar, de interlocutor. De levantar, andar, assentar de novo. Parar de comer, comer de novo. De decidir o meu tempo, em função da minha fome, dos meus interesses.

Maturidade alimentar

Foi aqui que adquiri a maturidade alimentar. Foi aqui que descobri que existe uma maturidade alimentar, uma evolução na relação com os sabores. Se na fase adulta continuamos no estreito limite dos sabores infantis deixamos de lado uma infinidade de produtos, de texturas e de associações. A França expandiu os limites do meu gosto e me empurrou por caminhos desconhecidos. Descobri novos sabores e os prefiro hoje aos sabores de um tempo passado. Às vezes testo, provo algo que adorava. Não, definitivamente mudei.


Fonte:  https://www.conexaoparis.com.br/2018/02/23/diferencas-culturais-entre-brasil-e-franca/

15 fevereiro 2019

RETORNO VOLUNTARIO: IMIGRANTES BRASILEIROS EM PORTUGAL!


Não era como imaginava: cresce número de brasileiros que pedem ajuda para voltar de Portugal ... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/08/17/brasileiros-voltam-portugal-emigrar-salario-seguranca-visto.htm?cmpid=copiaecola
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Não era como imaginava: cresce número de brasileiros que pedem ajuda para voltar de Portugal Francisco Seco / AP Photo Pessoas caminham no centro de Lisboa Imagem: Francisco Seco / AP Photo... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/08/17/brasileiros-voltam-portugal-emigrar-salario-seguranca-visto.htm?cmpid=copiaecola

Não era como imaginava: cresce número de brasileiros que pedem ajuda para voltar de Portugal... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/08/17/brasileiros-voltam-portugal-emigrar-salario-seguranca-visto.htm?cmpid=copiaecola
Não era como imaginava: cresce número de brasileiros que pedem ajuda para voltar de Portugal... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/08/17/brasileiros-voltam-portugal-emigrar-salario-seguranca-visto.htm?cmpid=copiaecola
Não era como imaginava: cresce número de brasileiros que pedem ajuda para voltar de Portugal... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/08/17/brasileiros-voltam-portugal-emigrar-salario-seguranca-visto.htm?cmpid=copiaecola

Não era como imaginava: cresce número de brasileiros que pedem ajuda para voltar de Portugal ... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/08/17/brasileiros-voltam-portugal-emigrar-salario-seguranca-visto.htm?cmpid=copiaecola

De: Ricardo Ribeiro
Colaboração para o UOL, em Lisboa
17/08/2018 04h01 




Após perder o emprego em Pernambuco, o engenheiro civil Daniel (o nome foi alterado a pedido dele), 32, decidiu fazer o mesmo caminho de pelo menos 85 mil brasileiros que, atraídos pelas perspectivas de estabilidade financeira e de segurança, adotaram Portugal como casa. Mas as coisas não saíram como ele imaginava. "Você lê muita coisa por aí e vê tanta gente vindo, que acredita que vai ser fácil. Mas a realidade é diferente”, disse ao UOL.
Sem conseguir exercer a profissão e com dificuldades até para comprar comida, Daniel prepara-se para integrar outra estatística, também em expansão: a de brasileiros que pedem ajuda para voltar para o país de origem.
Nos últimos cinco anos, o Programa de Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração (Árvore), ligado à Organização Internacional para Migrações (OIM) e ao governo português, financiou a viagem de volta de 1.639 brasileiros.
Apesar de corresponderem a 20% dos estrangeiros morando em Portugal, os brasileiros respondem por 86% dos pedidos de auxílio para voltar para casa. Após ter o benefício concedido, o imigrante fica impedido de entrar em Portugal por três anos.
Em 2013, no auge da crise econômica portuguesa, registrou-se pico de concessão desse tipo de ajuda para brasileiros: 593 viagens pagas. O número diminuiu nos anos seguintes, mas, de 2017 para cá, mostra tendência de aumento: foram 222 embarques de janeiro a junho de 2018, aproximando-se dos 232 retornos financiados em todo ano passado.
Na reunião da OIM em Lisboa em que a reportagem esteve presente, a maioria dos participantes se recusou a dar entrevista.
Ninguém quer falar do sonho que não deu certo
Daniel, 32 - que concordou em contar sua história, mas pediu para ter o nome alterado

OIM / Reprodução
Funcionária da Organização Internacional para as Migrações (OIM) dá orientação em aeroporto português Imagem: OIM / Reprodução

O Brasil redescobre Portugal

O bom momento vivido por Portugal e a crise econômica que se arrasta no Brasil fizeram da terra de Fernando Pessoa uma espécie de Eldorado no imaginário dos brasileiros.
De 2016 para 2017, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras concedeu mais de 4 mil novas autorizações de residência para brasileiros, que já somam mais de 85.426 no país -- a maior comunidade estrangeira.
O número ainda é menor do que o registrado em 2014, quando a comunidade brasileira passava de 87 mil pessoas, mas chama a atenção pela tendência de crescimento, após anos de retração.
Além disso, estima-se que a população brasileira em Portugal seja ainda maior: há ao menos 2 mil no país com passaporte italiano, contingentes não contabilizados de brasileiros com outros passaportes europeus e ainda os imigrantes ilegais. São pessoas que entraram com visto de turista, válido por 90 dias, e não foram embora, como é o caso de Daniel.
Sem visto de residência, o engenheiro só conseguiu trabalho como entregador de pizza ou vendendo pacotes de TV a cabo de porta em porta. Não tinha salário fixo, só a promessa de receber comissões que nunca chegavam. 
"Falta até para comer, que dirá o aluguel. Por isso resolvi procurar o programa [de retorno voluntário]”, diz.
Há pouco mais de um ano em Portugal, agora Daniel espera terminar o processo junto à OIM para retornar ao Brasil.


Passagem e 2.000 euros para recomeçar a vida

Histórias como as de Daniel são comuns nas reuniões informativas do programa Árvore. A maioria dos participantes são brasileiros - que têm facilidade para entrar na Europa, uma vez que não é preciso tirar visto antes de embarcar.
“Têm-se registrado mais pessoas a pedir apoio após uma estadia curta, motivados pela dificuldade em regularizar a situação, pelo desemprego, ou trabalho precário associado, e consequentes dificuldades de subsistência no país. A grande maioria possuía um nível de escolaridade médio”, afirmou Patrícia Cunha, assistente de projeto da OIM Lisboa. 
O programa auxilia na regularização de documentos de viagem, dá a passagem de volta e 50 euros (equivalente a R$ 220) para despesas durante a viagem. A iniciativa também ajuda a pessoa, já de volta no seu país de origem, a se inserir no mercado de trabalho, financiando cursos técnicos. É possível também solicitar uma verba de 2.000 euros (R$ 8.700) para iniciar um novo negócio.
“A falta de informação e planejamento é a principal causa para a vulnerabilidade econômica e até psicossocial das pessoas que chegam à OIM. Muitos vêm a Portugal com passagem de volta para uma semana, mas [quando querem voltar ao Brasil] não é possível ou é muito caro reagendar", diz Cunha.

De volta para casa

Vivian e Odirlei Domingues, ambos de 38 anos, já utilizaram o programa. O casal retornou para Mauá (SP), em junho do ano passado.
“Meu marido não conseguiu arrumar emprego fixo e salário bom. Ele foi com uma vaga de lavador de carro e, no futuro, pegaria um contrato para se legalizar”, conta Vivian.
Mas o plano não funcionou, e Odirlei, com nível superior e uma carreira de analista financeiro, também trabalhou na limpeza de uma academia. Ainda assim, a conta não fechava.
Vivian também lavou carros e trabalhou como recepcionista, mas parou para cuidar do filho do casal, à época com um ano e meio. Ela diz não se arrepender da experiência, mas desaconselha aqueles que querem tentar a sorte sem os devidos vistos.
Fui muito explorada por não ter documentos. Hoje dou valor aos mínimos detalhes. No Brasil, tinha emprego, apartamento e família, mas não dava valor. Quando migrei passei muitas privações desnecessárias



Fontehttps://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/08/17/brasileiros-voltam-portugal-emigrar-salario-seguranca-visto.htm

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